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QUEM É DO LIBOLO DEVE PENSAR ALTO.

Entrevista do nosso Presidente concedida ao Jornal dos Desportos.

Termina a época futebolista 2018 (na qual ficamos classificados em 4ºlugar com 40 pontos) e com o advento da próxima temporada (2018/2019), o nosso Presidente foi convidado a conceder uma entrevista ao Jornal dos Desportos (pertença do grupo Edições Novembro), que passamos-la na íntegra:


" Quem é do Libolo deve pensar alto"


É filho de Calulo, onde nasceu, cresceu e viveu, até que, em 1983, foi forçado à procura de outro habitat na sequência da intensificação da guerra que o país viveu. Chama-se Leonel Casimiro, vice-presidente do Recreativo do Libolo no acto da refundação do clube em 2006, cargo que viria a renunciar anos depois em face das suas obrigações profissionais. Porém, com a retirada do doutor Rui Campos, por razões sobejamente conhecidas, foi chamado a assumpção das rédeas da popular agremiação do Cuanza-Sul. É com este homem de trato fácil, discurso assertivo e pausado que o Jornal dos Desportos manteve um dedo de conversa para dele saber um pouco mais do seu projecto de direcção. Desde já promete muito trabalho de massificação. S


Tratando-se da primeira entrevista que nos concede, começaríamos por uma pergunta simples e básica. Quem é afinal o novo presidente de direcção do Recreativo do Libolo?
O novo presidente do Recreativo do Libolo é um filho da terra, Calulo, onde nasceu e cresceu até que, em 1983, altura em que pela primeira vez o município foi invadido pelas forças da Unita, foi obrigado a mudar-se para Luanda, onde fez os seus estudos e concluiu a sua formação. Mas apesar de tudo nunca abandonou a terra natal, nunca abandonou Calulo, nunca abandonou Libolo, razão por que todos os seus projectos pessoais e profissionais estão alocados em Calulo.

Por aqui podemos concluir que não se trata de alguém estranho ao clube. Mas sim um homem já com ligações anteriores. Certo?
Claro. Eu fiz parte da primeira direcção estruturada para a refundação do Clube Recreativo do Libolo, em 2006, e em 2008 fomos apurados para o campeonato nacional da primeira divisão. Na altura desempenhei as funções de vice-presidente, função que declinei entre 2008/09 para dar prioridade aos meus projectos profissionais. Como devem saber, dirigir um clube, modéstia à parte, rouba-nos muito tempo. Em face disto em determinada altura tive de optar pela minha actividade profissional.

E como se dá o regresso a casa?
Bom, volvidos estes anos todos, em razão da saída do doutor Rui Campos da presidência do clube, em função do cargo para que foi eleito e ocupa na Confederação Africana de Futebol, fui chamado ou convidado pelo presidente da Mesa de Assembleia Geral do clube a assumir a direcção do clube e abracei o projecto.

O \"sim\" a este convite e sendo o senhor um homem com vários compromissos profissionais foi fácil? Foi difícil?
Diria que não foi fácil, mas também não foi difícil. Foi uma questão de ponderação. Primeiro o desafio de assumir uma causa nobre e contribuir com a minha humilde responsabilidade a um projecto sério e ambicioso. Assim, tive de avaliar um conjunto de factores a ver até que ponto estava apto para contribuir para um projecto da terra. Segundo tive de ponderar muito sobre os meus projectos pessoais.
Mas na mesma acabei de abraçar uma causa, que julgo nobre, que é dirigir um clube desportivo da minha terra, e principalmente por se tratar de um clube do interior, que tem um impacto social muito grande a nível da província do Cuanza Sul.

Como encontrou o clube em termos orçamentais e de organização?
\"Quando entrei foi-me anunciado que em termos de algumas situações internas iríamos encontrar algumas dificuldades, nomeadamente na questão orçamental, e na questão de alguns activos que saíram do clube. Portanto, estava ciente que iria reestruturar um clube nas actuais condições que o país atravessa. Mas aceitei este desafio de revitalizar um clube que representa a província do Cuanza-Sul em termos de manutenção no campeonato nacional de futebol da primeira divisão\".

Como tem sido o exercício neste curto período em que se encontra à frente dos destinos do clube?
Não tem sido fácil. Primeiro é que o Libolo está situado no interior da província do Cuanza Sul. O acesso é muito difícil, as viagens são constantes e quando estamos à frente de um projecto a nossa presença é fundamental. Daí a razão de eu estar a fazer neste momento um desdobramento vertical no sentido de conciliar a minha actividade profissional com a gestão do clube. Mas tem sido possível, apesar de tudo.

O estado da estrada que liga Luanda a Calulo não tem sido um autêntico empecilho?
Na verdade tem sido. Mas nota-se agora a ser desenvolvido um trabalho de reabilitação da via e estamos todos ansiosos que até ao final do ano hajam melhorias na estrada. Mas foi uma época desportiva atípica, não só pela forma como encontramos o clube mas também por várias condicionantes de acesso. Mas no essencial acabou ser uma situação que, com algumas cautelas conseguimos ultrapassar.

Como é que viu o desempenho da equipa no campeonato recentemente terminado em que ficou classificada na quarta posição?
"A equipa evoluiu dentro daquilo que estava perspectivado. Tínhamos a partida, plena noção de que havíamos de encontrar uma série de dificuldades. Volto a referir que se o campeonato nacional foi considerado atípico, o Libolo neste campeonato atipicamente entrou.
Tínhamos está noção, fomos trabalhando no sentido de melhorar em cada jornada. É bem verdade que apostamos no professor Kito Ribeiro para o Projecto Libolo no seu todo. Mas o futebol é ingrato, vive de resultados, e infelizmente os resultados não estavam a surgir, e Kito veio, de forma coerente, colocar o lugar à disposição, para não prejudicar o clube. Para anão prejudicar a massa associativa do clube e para não prejudicar o projecto por si encabeçado.

A saída do professor Kito Ribeiro surtiu efeito positivo?
Na verdade, depois disso, e com André Makanga, os resultados começaram a surgir de jornada a jornada, de sorte que acabamos de conquistar um honroso quarto lugar na classificação final. E podemos concluir que fizemos uma época desportiva, embora com muitos constrangimentos, extremamente satisfatória.

Há uma corrente que diz que a meta do Libolo não era a quarta posição na classificação final. Mas sim a terceira. É isto?
Não é bem verdade que a nossa meta tenha sido o terceiro lugar. Aliás, nós, enquanto direcção, fomos orientados pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral para que conjugássemos esforços no sentido de terminarmos o campeonato entre os primeiros cinco classificados, independentemente da forma como iríamos entrar na prova. Mas um lugar entre os primeiros cinco tínhamos de garantir.

Então é falsa a tese de que a direcção tinha determinado o terceiro lugar como meta?
Na verdade, estou lembrado que fui eu quem a determinada altura, e depois de ter feito uma leitura minuciosa da prestação da equipa na primeira volta e na segunda, anunciei em entrevista à Rádio Cinco e ao Jornal dos Desportos que lutaríamos para o terceiro lugar. Porque sou apologista de que, quem é do Libolo não pode pensar baixo, deve pensar alto. O Libolo é uma marca a nível do futebol nacional. Daí a ousadia de eu ter anunciado publicamente que lutaríamos para o terceiro lugar. E pelos vistos não fugimos muito desta meta, acabamos em quarto lugar por termos perdido no Cuando Cubango. Mas internamente e de acordo com a estratégia do clube acabamos por cumprir com o nosso objectivo inicial.

O Libolo é um clube já com uma história registada. Conquistou quatro títulos do Girabola em tempo recorde, depois da sua refundação. Ocorre-nos perguntar para quando está prevista a conquista do próximo título?
Eu tenho um plano estratégico traçado, foi aprovado em assembleia, que muito gostaria de cumprir. É bem verdade que o futebol se resume em títulos e vitórias. Mas nós não podemos descurar da base. O Libolo durante dez anos conquistou títulos, mas deixou uma base fraca. Ou seja, não deixou nenhuma base sustentável, que lhe dê garantia de continuidade.
Nós queremos inverter este quadro. Mas queremos manter um Libolo ganhador, um Libolo batalhador, que nos dê uma base de continuidade. Não vamos prometer títulos, vamos prometer muito trabalho, procurando manter o clube nos lugares cimeiros, com um trabalho de formação sério para a garantia de novos talentos.
Queremos a inclusão do clube a nível da sociedade, não só do Libolo, mas do Cuanza Sul. Lançamos recentemente a nossa escola comunitária, em que temos duas escolas pilotos, isto vai nos dar experiência para depois relançarmos a nível da província. É este projecto que o Libolo tem, e eu enquanto presidente, gostaria cumpri-lo no meu mandato.

Bem entendido a massificação está entre as grandes prioridades do vosso consulado. Certo?
Nós vamos trabalhar na criação de escolas comunitárias, vamos criar campos de futebol, vamos formar uma academia. Porque se repararem durante dez anos o Libolo só tem um campo de futebol. Treina e joga no mesmo sítio. Ou seja, não é possível massificarmos a modalidade se continuarmos estagnados e resumidos a um campo de futebol. Estamos a trabalhar nisso.
As obras já foram relançadas e estamos a ver se até Dezembro do presente ano possamos já contar com o campo de treino concluído. É esse o nosso plano. Portanto, não prometo agora títulos, mas prometo muito trabalho.

PARA O PRÓXIMO GIRABOLA
Benguela ou Huíla preferidos
para estágio de preparação

A nova época futebolística começa já em Outubro próximo. Como é que está o Libolo em termos de preparação pré-época?
Pensamos que a nível do clube, entre técnicos, atletas e outros actores estão todos notificados para a abertura da nova época que traçamos para o próximo dia 23 de Setembro.

Como está esboçada a pré-época? Vai decorrer aqui no país ou está previsto algum estágio fora de portas?
A exemplo daquilo que foi a época passada, o Libolo vai realizar o seu estágio aqui mesmo dentro do país. Vai ser em Benguela ou no Lubango.
Vamos é procurar identificar a província em que se vai concentrar maior número de equipas, de formas a facilitar os jogos de preparação. Portanto, de princípio o estágio vai ser dentro do país, até porque não há divisas para viagens.

Em função daquilo que foi a prestação do plantel no campeonato recentemente terminado quais são os reforços que estão previstos?. Ou seja, que sectores vão merecer maior atenção?
Pensamos reforçar o plantel no seu todo. Isto é, fortificar o sector defensivo, o meio campo e o ataque. Os reforços estão identificados, nesta altura estamos a desenvolver as negociações e a seguir serão anunciados.
Quanto ao treinador já cá se encontra há cerca de três meses. Chama-se Sério Boris, foi anunciado no sitio do clube e apresentado à massa associativa no jantar de confraternização que tivemos em Calulo.
Já acompanhou as últimas jornadas para se inteirar um bocado do nosso campeonato. Portanto, oficialmente o técnico já foi apresentado, aguardando apenas e ansiosamente pelo dia 23 de Setembro para segurar a equipa a seu modo.

Como está o clube em termo de sócios? O número satisfaz a direcção?
Embora tenhamos um número considerável, mas ainda assim, pensamos que há necessidade de se elevar este número para mais. Daí a razão por que estamos apensar desenvolver uma intensa campanha de angariamento de novos sócios, capazes de ter as suas quotas em dia.

Como será desenvolvida esta campanha? Apenas na sede do clube em Calulo ou também em outros lugares no resto do país?
À partida, os interessados poderão se inscrever como sócios na sede social do nosso clube em Calulo, aquelas que possam, e as outras poderão fazê-lo através do site do clube na Internet.
Trata-se de um processo simples facilitado hoje por hoje pelas novas tecnologias. Pensamos trabalhar e já estamos a trabalhar neste sentido.

Estima-se em quantos o número actual de sócios do Recreativo do Libolo? E para quantos se pretende elevar?
Nesta altura o nosso clube andará por volta de seis mil sócios e não posso dizer em quantos pretendemos elevar o número, mas pretendemos sim é atingir um número que possamos considerar satisfatório.

SÉRGIO BORIS
“Novo técnico
deve consolidar
lugares cimeiros”

Embora o senhor já tenha esclarecido que o título não é objectivo primário, em face de outros projectos em carteira, ainda assim, não seria pecado tentar saber o que a direcção do clube pede ao novo treinador.
Acima de tudo consolidar os lugares cimeiros. E volto aqui a reiterar que, quem veste a camisola do Recreativo do Libolo não pode pensar baixo, deve pensar alto, pensar grande. Esta é a mensagem. Por outro lado, ele, o treinador, vai abraçar o projecto Libolo no seu todo, da formação ao topo. Vai dar formação aos nossos técnicos, de juvenis, de juniores, de seniores, no sentido de estes aumentarem a sua capacidade, porque os técnicos nacionais do Libolo são parte integrante da estrutura do clube. São funcionários do clube. Pois, hão-de passar ai vários técnicos, mas eles vão continuar. Portanto, este é o nosso projecto.

ORÇAMENTO
“Fizemos a época
sem fazer dívidas”

Sabemos que o clube já não tem nos dias de hoje o mesmo orçamento das épocas anteriores. O que nos pode dizer o presidente a propósito disso?
Na verdade, o orçamento do clube vem sofrendo cortes de época em época. Começamos a época passada com um orçamento não muito famoso, mas com uma gestão parcimoniosa conseguimos terminar o campeonato sem dívida com os atletas, sem dívida com os técnicos, sem dívidas com a APF.Penso que conseguimos gerenciar o campeonato dentro do orçamento que nos foi apresentado. É bem verdade que não foi fácil, porque fomos abrigados a coser com as linhas que nos deram. Mas foi possível. Alguns críticos diziam que o Libolo podia desaparecer mas acabamos, com a classificação obtida, por dar resposta à medida.

Já que falamos em orçamento ou em dinheiros, gostávamos saber se os patrocinadores do clube de há três ou dois anos são os mesmos de hoje.
Sofremos uma redução muito grande a nível de patrocinadores. O clube tinha três patrocinadores e neste momento tem apenas um patrocinador oficial, que é o Banco Keve. E aqui deixo uma palavra de apreço ao nosso patrocinador oficial, porque se não fosse o acreditar deste, ai sim, talvez o Libolo não se manteria na primeira divisão. O nosso agradecimento ao ter acreditado no projecto Libolo. Portanto, temos apenas um patrocinador. Daí a nossa aposta na formação, porque nós queremos ter um clube com continuidade. Aliás, é importante apostarmos na continuidade para amanhã criarmos os nossos activos, quanto mais não seja uma forma de desanuviar o nosso patrocinador.

Com a saída do basquetebol o Recreativo do Libolo vai continuar resumido ao futebol ou a perspectiva de congregar outras modalidades?
Eu dentro do meu projecto, apresentado e aprovado em assembleia previ outras modalidades. Vamos apostar no atletismo, porque estamos numa província acima do mar e com forte potencial de desenvolver a modalidade. Estamos a trabalhar neste projecto, o xadrez faz igualmente parte dos nossos planos e vamos também apostar no andebol na camada de formação. Pensamos que a nível do andebol feminino Angola tem um forte potencial e só existem duas províncias que fornecem activos à selecção, que são Benguela e Luanda. Cuanza Sul através do município do Libolo quer entrar neste grupo a médio ou curto prazo.Já estamos a trabalhar no construção do nosso pavilhãozinho, embora seja a céu aberto, mas para formação já serve, para darmos os primeiros passos. Portanto, o projecto de massificação do andebol feminino já tem pernas para andar, só não posso ainda divulgar o nome de quem é o técnico que estará à frente do mesmo.

O basquetebol não entra nas projecções?
Imediatamente não. Não é prioridade para o clube, porque não temos orçamento para suportar estas duas modalidade em alta competição.

 

 

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